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    Tristeza

    Família doa órgãos de médica atropelada no Centro de Niterói

    Patrícia Fiuza tinha 53 anos, deixa marido e duas filhas

    Publicado 23/12/2025 às 14:58 | Atualizado em 23/12/2025 às 17:28 | Autor: Ezequiel Manhães
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    Médica seguia de um plantão para o outro
    Médica seguia de um plantão para o outro |  Foto: Arquivo pessoal

    Uma atitude de amor em meio à dor. Após dias internada depois de um atropelamento, na rua da Conceição, no Centro de Niterói, a médica Patrícia Fiuza Barros, de 53 anos, que morreu no dia 10 de dezembro, teve seus órgãos doados pela família, gesto que deve ajudar a salvar outras vidas e que marcou ainda mais a comoção em torno do caso. 

    Patrícia foi atropelada por um ônibus no dia 6 de dezembro, quando saía de um plantão em Paquetá, onde era diretora da Unidade Integrada de Saúde Manoel Arthur Villaboim, e seguia para outro trabalho, em Niterói. Ela morava em Icaraí, na Zona Sul da cidade, e também atuava no Sesi, onde era muito querida pelos colegas. O enterro aconteceu no Cemitério do Maruí, no Barreto.

    "Foram mais de 20 anos cuidando da população de Paquetá com carinho e dedicação. Agradecemos por tudo, Dra. Patrícia, sentiremos muito a sua falta. Descanse em paz", escreveu o perfil da unidade onde a médica atuava.

    Na data do acidente, ocorrido por volta de 7h30, Patrícia foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, onde ficou internada por quatro dias. 

    "A família doou os órgãos", contou o advogado Marcus Vinicius Righi Bernardes, de 55 anos, que é um amigo próximo, emocionado.

    "Ela era uma pessoa sensacional, boa amiga, boa filha, boa mãe, boa médica. Era muito querida", reforçou o amigo.

    Segundo a direção do Heal, foram captados córneas e fígado

    Mesmo com a gravidade do caso, amigos e familiares afirmam que ainda há muitas lacunas sobre o que realmente aconteceu no dia do atropelamento. “Não sabemos nada sobre a dinâmica do acidente”, disse o amigo.

    Segundo Marcus Vinicius, no próprio dia do ocorrido, um representante da empresa Pendotiba chegou a ir ao hospital. 

    "No dia do atropelamento um empregado da empresa se encontrou comigo no hospital, deixei meu telefone, mas ninguém da empresa entrou em contato para algum tipo de auxílio", lamentou.

    A informação repassada à família é que o ônibus envolvido no atropelamento teria seguido para a delegacia, a 76ª DP (Niterói), para registrar a ocorrência. Procurada, a Polícia Civil ainda não informou sobre o andamento da investigação.

    Em nota, a Viação Pendotiba lamentou profundamente o "falecimento de Patrícia Fiúza, em virtude de um acidente de trânsito, no último dia 6, no Centro de Niterói".

    Segundo a empresa, "uma análise minuciosa das imagens do circuito interno de segurança do veículo, bem como das imagens que já constam do procedimento investigatório junto à 76ª DP (Centro), e considerando ainda os depoimentos de testemunhas, a empresa entendeu que não houve responsabilidade de seu motorista no evento".

    A Viação Pendotiba reitera "mais vez sua solidariedade com a família da vítima, informando que está à disposição para tratativas conciliatórias, sem entrar no mérito de culpabilidade de qualquer das partes".

    A empresa ressalta também que "está colaborando plenamente com as investigações conduzidas pela Polícia Civil".